JUSTIÇA
Tribunal do Júri condena réus que tentaram matar policiais Civis de Erechim
   
Sessão de julgamento culminou com a sentença de pena máxima

Por Antonio Grzybowski
04/01/2019 15h21

Dois réus acusados de tentativa de homicídio qualificado contra policiais civis foram condenados pelo Tribunal do Júri da Comarca de Erechim. Cristiano Alberto Onetta (32) e Nelson Luis Theodoro (35), deverão cumprir penas de 32 anos e 8 meses de reclusão no regime fechado. Os dois responderam o processo com prisão preventiva decreta desde 2017 e poderão recorrer da sentença recolhidos ao Presídio Estadual de Erechim.

O julgamento foi realizado na quinta-feira (25) no Fórum de Erechim e durou mais 30 horas. A sessão presidida pelo juiz Marcos Luis Agostini, titular da Primeira Vara Criminal, iniciou por volta de 9h20 e encerrou às 3h30 da madrugada de sexta-feira (26). O Conselho de Sentença acolheu a denúncia do Ministério Público, baseada em inquérito policial, que comprovou a culpabilidade dos réus em cinco crimes praticados em sequência na manhã do dia 22 de fevereiro de 2017.

Sobre os crimes
O primeiro fato ocorreu em Linha Gramado, interior de Erechim, às margens da ERS 211, quando foi roubado um veículo “mediante grave ameaça exercida com emprego de armas de fogo”, de acordo com o texto original do processo.

Segundo o delegado Gustavo Vilasbôas Ceccon, titular da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec), Cristiano Alberto Onetta e Nelson Luis Theodoro estavam sendo monitorados pela Polícia Civil, que investigava a ação de uma quadrilha suspeita de diversos assaltos e que estaria preparando ataques a carros fortes que abasteciam bancos na região.

Mediante escuta telefônica autorizada pela Justiça policiais da Defrec identificaram a localização do grupo investigado após o roubo do carro. De imediato foi realizada a abordagem de três suspeitos que estariam de posse do veículo. O condutor era Cristiano Onetta, tendo como caroneiros Eslei Soares e Nelson Luis Theodoro.

Conforme a denúncia, os policiais foram recebidos com tiros de revólver que atingiram a viatura onde estavam três agentes, que não se intimidaram e iniciaram a perseguição, enquanto os suspeitos continuavam com os disparos de arma de fogo.

Encurralados pela polícia, Cristiano Onetta, Eslei Soares e Nelson Luis Theodoro, pararam o veículo em uma residência localizada às margens de uma estrada vicinal de Linha Chalé, interior de Erebango, onde fizeram cinco reféns, sendo uma criança de apenas quatro anos. Após negociação de durou mais de duas horas os assaltantes decidiram se entregar e foram presos em flagrante.

Em revista realizada nos denunciados e no veículo de propriedade do denunciado Cristiano Alberto Onetta, foram localizadas arma de fogo, toucas ninja, luvas e a chave do veículo roubado no início da manhã.

No mesmo inquérito os réus foram indiciados por posse ilegal de armas. A Polícia Civil descobriu que em Linha Pinhal, interior de Paulo Bento, na propriedade rural de um quarto suspeito, estavam armazenadas armas e munições de grosso calibre. O local, segundo a investigação, era usado pela quadrilha para o planejamento de ações criminosas na região.

Versões de defesa
Durante a fase de instrução processual o réu Nelson Luis Theodoro, pleiteou pela ela absolvição antecipada por insuficiência de provas na acusação de tentativa de homicídio. No caso de cárcere privado, alegou que invadiu a casa onde foi preso para preservar a própria vida, pois estava ferido.

Cristiano Alberto Onetta, por sua vez, alegou a nulidade da busca e apreensão realizada na propriedade rural que culminou na imputação do crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito em razão da ausência de ordem judicial. Pleiteou pela absolvição no delito de roubo majorado por insuficiência de provas, mesmo argumento utilizado para negar a acusação de tentativa de homicídio qualificado contra policiais. Sobre o cárcere privado também alegou a defesa da própria vida.

Julgamento tenso
Agentes da Polícia Civil lotaram o plenário do Fórum de Erechim para assistir ao julgamento. Além do delegado Ceccon, policiais que atuaram na operação foram ouvidos. A família que foi feita refém também prestou depoimento. Familiares do réus e dois detentos arrolados como testemunhas foram interrogados em plenário. Um deles tentou desqualificar o trabalho policial, gerando indignação dos agentes que estavam presentes.

No fim da sessão o delegado Gustavo Vilasbôas Ceccon, considerou justo o resultado do júri e lembrou que as penas impostas aos réus foram exemplares. Segundo o policial, nunca antes na história policial da região houve tentativa de homicídio contra agentes da Polícia Civil, sendo este um caso raro e que a sociedade, por meio do Conselho de Sentença, deu a devida resposta aos criminosos que tentaram agir contra os representantes dos órgãos de segurança.

Penas somam qualificadoras e agravantes
Ao sentenciar os réus o juiz Marcos Luis Agostini considerou as qualificadoras das tentativas de homicídio praticadas contra policiais civis, além das agravantes de “multirreincidência” na vida criminal e outras condenações já definidas pela Justiça e diversos processos em andamento.

Pela acusação atuou a promotora Stela Bordin. Pela defesa foi nomeado em defensor público de Porto Alegre, atendendo manifestação da defensora Raquel Fellini, que se declarou impedida de atuar no processo.

   

  

Comentar comment0 comentário
menu
menu